Às vezes, o pensamento se multiplica, a mente se agita e o raciocínio tenta sustentar o mundo inteiro nos ombros. Ainda assim, algo dentro permanece suspenso — como se uma peça invisível, essencial, estivesse fora do lugar. Este vazio não é falha: é passagem. É justamente nesse espaço silencioso, escondido atrás das ideias, que o ser começa a abrir os olhos.
A Ontoanálise, criação do Dr. Caldas, surge como essa fenda de luz que corta o ruído. Ela não oferece promessas prontas, não infantiliza o sujeito, não simplifica o complexo. Ela abre terreno para que algo mais profundo emerja: a presença viva do ser. E quando o ser desperta, a vida inteira muda de direção.
O despertar silencioso
Despertar o ser não é se tornar alguém novo, mas é remover o excesso que encobria quem você sempre foi. Medo, pressa, culpa, automatismos… tudo isso cria camadas que sufocam a essência não condicionada. O ser é anterior a qualquer narrativa: é a parte de você que existe antes das feridas, antes das vozes alheias, antes das exigências do mundo. Portanto, despertar o ser é recordar essa origem. É deixar o estado de sobrevivência e entrar no estado de presença.
Viver da mente × viver do ser
A mente opera em velocidade: pensa, reage, interpreta, alerta. O ser opera em profundidade: percebe, sente, orienta, sustenta.
Quando vivemos apenas da mente:
- reagimos no impulso,
- confundimos urgência com importância,
- repetimos velhos padrões emocionais,
- buscamos aprovação externa,
- fazemos muito, mas vivemos pouco.
Mas quando o ser assume o lugar:
- respondemos em vez de reagir,
- enxergamos o que antes nos confundia,
- sentimos com autenticidade,
- decidimos com lucidez,
- vivemos com sentido.
A Ontoanálise é a ponte entre esses dois estados: da mente que grita para o ser que guia.
Como a Ontoanálise devolve lucidez ao cotidiano
Enquanto abordagens clássicas se concentram em interpretar sintomas, a Ontoanálise ilumina o território de onde eles emergem. Sintomas não são inimigos; são sinais. Eles denunciam onde o ser foi abafado. Mas, quando você os observa pela lente da Ontoanálise:
- o medo diminui,
- o significado aparece,
- a vida começa a se reorganizar de dentro para fora.
É assim que o despertar do ser se torna prática, não teoria.
Quando o ser assume o lugar da mente: exemplos reais
O despertar do ser aparece nos detalhes, ou seja, nos pequenos deslocamentos do cotidiano que mudam tudo.
No relacionamento:
Você deixa de implorar atenção.
Você abandona a reatividade e age com consciência.
Os vínculos deixam de ser prisão e se tornam encontro.
No trabalho:
Você aprende a administrar conflitos.
Escolhe o que realmente sustenta sua energia.
Produtividade é desenvolvida com lucidez.
No silêncio interno:
A inquietação diminui.
A respiração toma o seu fluxo normal.
O corpo deixa de gritar.
Nas escolhas importantes:
Em vez de decidir por medo, você decide por estratégia.
A vida ganha direção, não por força, mas por clareza.
Quem você sempre foi começa a emergir
A Ontoanálise não cria uma nova versão de você. Ela remove os excessos, ruídos, máscaras e repetições inconscientes que te confundiam. O ser, antes encoberto, finalmente aparece:
- mais firme,
- mais consciente,
- mais presente,
- mais livre.
Por conseguinte, nasce uma sensação rara na vida moderna: sentido. A vida volta a se alinhar com aquilo que faz o coração pulsar.
Como começar esse processo na prática
O despertar do ser não exige grandes rituais. Exige atenção, vontade, disciplina e disponibilidade.
A seguir, alguns caminhos práticos:
- Observe seus sentimento e pensamentos antes de reagir.
- Silencie por dois minutos sempre que possível.
- Escreva o que sente, sem filtro.
- Questione: “isto vem da minha mente ou do meu ser?”
- Perceba onde você vive no automático.
- Busque acompanhamento, pois o despertar não é uma caminhada solitária.
Com o tempo, você perceberá que o ser não desperta de uma vez, mas desperta em camadas.
Conclusão: quando o ser desperta, tudo encontra seu lugar
Enfim, há um momento em que a vida deixa de ser corrida e volta a ser caminho. Um momento em que o medo cansa, a mente sossega e o ser emerge com uma força tranquila. Esse é o despertar do ser — o movimento em que a Ontoanálise encontra sua razão de existir. E, quando o ser desperta, tudo ao redor começa a fazer sentido. Não porque o mundo mudou, mas porque você voltou ao seu lugar interno.
Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação
(Do InMente ao InMundo)
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Tudo começa InMente: Pequenas Pausas que Mudam o Seu Dia
Leitura Externa:
Ontoanálise: O encontro entre o Ser e a Mente Moderna
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