Você já viveu aquele dia em que tudo parece falar ao mesmo tempo? Mensagens, cobranças, expectativas, prazos, pensamentos, comparações… E, no meio disso, você sente que perdeu algo essencial: a sua própria voz. É como se o mundo gritasse e você não conseguisse mais ouvir o que realmente importa.
Mas existe um ponto silencioso dentro de você — sempre disponível — que sabe exatamente o próximo passo. Esse ponto é a sua voz certa: a voz que nasce do centro, não do medo. Ouvi-la no meio do caos é uma habilidade, e como toda habilidade, pode ser treinada.
“O mundo fala alto. O ser fala baixo. E é por isso que tantos se perdem.”
O caos externo sempre amplifica o caos interno
A verdade é simples: não é o barulho de fora que mais nos desorganiza, mas o barulho que ele desperta por dentro. Se o mundo está exigindo demais, a mente começa a acelerar. Se algo não saiu como o esperado, o corpo tensiona. E se as notificações não param, a atenção se fragmenta.
Quando isso acontece, a voz do medo assume o comando:
- “E se eu errar?”
- “E se eu ficar para trás?”
- “E se não der tempo?”
Esse é o caos psicológico — não o externo. É ele que nos impede de decidir, de agir e até de descansar. A Ontoanálise explica esse fenômeno como desalinhamento da presença: quando a pessoa sai do próprio eixo e passa a reagir ao mundo, em vez de responder a partir de si.
Como saber se você está ouvindo a voz errada
Existem três sinais simples de que a mente acelerada tomou o controle:
1. A pressa aumenta, mas a clareza diminui.
Quanto mais você tenta correr, mais confuso tudo fica.
2. Você reage no impulso.
Diz “sim” quando queria dizer “não”, manda mensagens que depois se arrepende, toma decisões que não têm a ver com você.
3. O corpo pesa.
O peito aperta, a respiração encurta, a atenção some. O corpo sempre denuncia quando a mente está no comando errado.
Esses sinais não apontam fraqueza — apontam desconexão momentânea. É justamente aí que a virada pode acontecer.
A voz certa sempre começa no corpo, não na cabeça
A mente confunde. O corpo orienta. No caos, a mente cria cenários, exageros, medos e urgências falsas. Já o corpo fala a linguagem da verdade:
- alivia quando algo está correto,
- pesa quando algo está errado.
Portanto, antes de tentar “decidir”, tente sentir. Respire fundo. Observe o peito e o estômago. Pergunte: “Essa direção acalma ou aperta?” Em 90% dos casos, o corpo responde antes da mente — e responde melhor.
Para a Ontoanálise, o ponto onde o ser percebe o que é essencial, sem interferência do ruído mental.
A técnica das três vozes (qual delas você está ouvindo?)
Em momentos de confusão, existe uma prática simples para distinguir o ruído da verdade. Basta identificar de qual voz vem o pensamento:
1) A voz do medo
É a mais alta. É rápida, ansiosa e sempre imagina o pior cenário. Sua função é proteger, mas quase sempre paralisa.
2) A voz da expectativa alheia
É sutil. Diz o que você “deveria” fazer, pensar ou sentir. Tenta agradar, tenta caber, tenta não decepcionar.
3) A voz do ser
É a mais discreta, nunca grita, é calma, simples, direta. Não cria urgência — cria clareza. Quando você identifica quem está falando dentro de você, o caos perde metade da força.
Três pequenas práticas para ouvir a voz certa (mesmo em dias caóticos)
1) Pausa de 20 segundos
Pare tudo. Respire. Sinta o corpo. Pergunte: “De onde vem esse impulso?” Se vier da pressa ou do medo, não é a voz certa.
2) A pergunta que reorganiza tudo
Antes de decidir, pergunte: “Isso faz sentido para mim ou apenas alivia uma ansiedade momentânea?”
Essa pergunta desmonta decisões impulsivas e devolve o foco ao centro.
3) O silêncio estratégico
Nem sempre você precisa responder na hora: mensagens, convites, problemas, demandas.
O silêncio de alguns minutos, ou de algumas horas, reorganiza a mente e restaura a lucidez. No ambiente de trabalho, esse silêncio evita conflitos, melhora decisões e reduz erros — líderes que utilizam pausas pensam melhor e conduzem melhor.
O que acontece quando você ouve a voz certa
A vida não fica necessariamente mais fácil, mas fica mais coerente.
Você toma decisões que realmente representam quem você é. Fala o que precisa ser dito, sem agressividade e sem culpa. Você age com menos cansaço, porque não luta contra si mesmo. E você se torna mais estável no trabalho, nos relacionamentos, na rotina.
Uma pessoa que ouve a voz certa inspira confiança. Ela não reage ao mundo: ela conduz o próprio caminho.
Conclusão — No meio do caos, sempre existe uma voz que sabe o próximo passo
Por fim, a voz certa nunca compete com o mundo. Ela apenas existe — e, quando você aprende a ouvi-la, tudo muda. Você age com mais precisão. Pensa com mais lucidez. Sente com mais equilíbrio.
Porque a voz certa não vem do medo, nem da pressa, nem da expectativa alheia. Ela vem do centro. Ela vem do ser. E tudo o que nasce do ser é verdade.
Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação
(Do InMente ao InMundo)
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