É comum atribuir reações emocionais intensas à TPM, como por exemplo: “Ah, eu agi assim porque estou na TPM”, “Estou ansiosa porque estou na TPM”, “Estou irritada porque estou na TPM”, etc. No entanto, essa explicação, apesar de confortável, costuma ser incompleta. A TPM não cria descontrole, não cria um estado emocional. Na verdade, ela mostra o que já existia antes. Ou seja, reduz os filtros/máscaras que normalmente mantêm emoções antigas sob controle. No fundo, o que emerge na TPM, é algo que estava escondido e silenciado em outras etapas do ciclo.

Durante a maior parte do mês, muitas mulheres funcionam no modo compensação: administram frustrações, engolem incômodos, relativizam conflitos e seguem produtivas. O problema surge quando o corpo, por alguns dias, interrompe esse amortecimento. O que aparece não é novo. É acumulado.

Até o final deste artigo, você irá aprender como usar a TPM como uma ferramenta de organização emocional interna e como torná-la a sua maior aliada.

O erro mais comum: confundir causa com gatilho

Um gatilho não é a origem. Ele apenas revela algo que já estava presente. Quando emoções emergem com força durante a TPM, isso indica que foram mal gerenciadas ao longo do tempo, não que surgiram ali.

Raiva recorrente, tristeza profunda, irritação constante ou sensação de descontrole não se formam em poucos dias. Elas se constroem lentamente, por meio de pequenos silenciamentos, concessões internas e falta de escuta emocional. Elas são acúmulos de semanas, meses e até anos.

A TPM apenas retira o tampão.

Emoções não reguladas se acumulam como passivo emocional

Assim como organizações acumulam problemas quando evitam decisões difíceis, pessoas acumulam passivos emocionais quando não regulam o que sentem. Emoções ignoradas não desaparecem. Elas se organizam em camadas.

Ao longo da vida, muitas mulheres seguem suas rotinas normalmente, mesmo quando algo interno não está bem. Em vez de olhar para dentro, entram no modo automático. Elas mantêm desempenho, entregam resultados, sustentam relações, mas não integram o que sentem. O custo disso aparece quando o corpo entra em um período de maior sensibilidade, como por exemplo, durante a TPM.

A TPM revela esse descuido no cuidado emocional porque reduz a capacidade de contenção automática.

Impacto no trabalho e nas relações

No ambiente profissional, isso se manifesta de forma clara. Durante a TPM, decisões podem parecer mais pesadas, críticas soam mais agressivas e conflitos antigos reaparecem com força. Não porque a mulher “perdeu o controle”, mas porque o controle estava sendo sustentado artificialmente.

Em equipes isso gera ruídos, em cargos de liderança gera culpa, em ambientes exigentes gera autocrítica excessiva. A raiz do problema, porém, não está no ciclo, mas na falta de gestão emocional contínua.

Logo, organizações não entram em crise por um evento isolado. Pessoas também não.

Responsabilidade emocional não é repressão

Assumir que a TPM revela o que foi mal gerenciado não significa se culpar, mas sim, assumir a responsabilidade. Responsabilidade emocional não é controlar tudo o tempo todo, mas criar espaço regular para integração do que se sente.

Quando isso não acontece, o corpo encontra um momento para falar. E a TPM costuma ser esse momento.

O corpo não pede interpretação simbólica. Ele aponta falhas de gestão emocional. Ignorar isso mantém o ciclo. Reconhecer permite reorganização.

O papel da consciência no lugar da justificativa

Usar a TPM como explicação final impede amadurecimento emocional. Ela vira justificativa, não instrumento de leitura. O corpo, então, precisa repetir o sinal mês após mês.

Quando a mulher entende que o ciclo não cria o caos, mas expõe padrões, algo muda. A TPM deixa de ser inimiga e passa a ser termômetro. Mostra onde há excesso, sobrecarga, silêncio emocional e decisões adiadas. Essa leitura não fragiliza. Ela fortalece.

Como transformar a TPM em um instrumento de organização emocional interna?

A mudança começa fora do período pré-menstrual. Emoções precisam ser reguladas ao longo do mês, não apenas quando explodem. Isso envolve pausas, revisão de limites, conversas necessárias e redução da autoexigência constante.

No trabalho, significa observar padrões: conflitos recorrentes, decisões evitadas, tarefas assumidas por obrigação. Na vida pessoal, significa reconhecer emoções antes que se tornem peso.

Quando o emocional é gerenciado continuamente, a TPM perde o papel de ruptura. Ela se torna apenas um período de maior sensibilidade, não de descontrole.

Conclusão: O corpo não sabota, ele sinaliza

A TPM não é um problema e não cria o descontrole. Ela apenas revela o que foi mal gerenciado ao longo do tempo.

Ignorar esse sinal mantém o ciclo de repetição. Ouvi-lo permite reorganização emocional, melhores decisões e relações mais maduras, no trabalho e fora dele.

Logo, o corpo não interrompe o funcionamento por acaso. Ele sinaliza quando a mente deixou de organizar o que sente. Aprender a ler esses sinais é uma das formas mais silenciosas, e profundas, de amadurecimento emocional.

Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação


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Leituras externas:

O Corpo Como Campo de Conflito Emocional

Por Que a TPM Amplifica Emoções Antigas? Um Olhar Natural

O Ciclo Feminino como Alquimia: Um Olhar Natural para a TPM


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