Há momentos em que o dia até permite uma pausa, mas algo dentro de você não deixa. Você senta, tenta relaxar… e a mente acelera. Surge inquietação, culpa, vontade de “aproveitar melhor o tempo”. Então você levanta, pega o celular, abre outra tarefa, responde mais uma coisa.

E sai da pausa mais cansado(a) do que entrou.

Isso não é falta de disciplina nem excesso de trabalho. É um estado interno específico, e bastante comum.

Parar dá ansiedade: por quê?

Para muita gente, parar não é descanso.
Parar é ameaça.

Quando você vive por muito tempo em ritmo acelerado, o corpo aprende a funcionar em modo de alerta contínuo. Portanto, este estado não se desliga automaticamente quando a agenda afrouxa.

Então, quando você tenta parar, o sistema interno interpreta assim:

“Algo está errado. Estamos ficando vulneráveis.”

A ansiedade aparece não porque você está descansando, mas porque o corpo não reconhece mais a pausa como segura. Por isso, não adianta apenas “ter tempo livre”. É preciso reaprender a habitar a pausa.

Sinais de hiperalerta (mesmo fora do trabalho)

O hiperalerta nem sempre aparece como ansiedade explícita. Muitas vezes, ele se manifesta de forma silenciosa, disfarçado de “funcionamento normal”.

Portanto, você pode estar em hiperalerta quando percebe que:

  • ficar em silêncio incomoda;
  • não estar produzindo gera desconforto;
  • há uma necessidade automática de checar mensagens, e-mails ou redes, mesmo sem urgência real;
  • existe uma sensação constante de que algo ficou faltando;
  • o descanso vem acompanhado de culpa ou autojulgamento;
  • o cansaço persiste, mesmo quando há tempo livre, finais de semana ou pausas disponíveis.

Nesses casos, o corpo até desacelera fisicamente, você senta, deita, para atividades, mas a mente continua em estado de prontidão. É como se algo dentro de você estivesse sempre esperando o próximo chamado, a próxima demanda, o próximo problema.

Quando o hiperalerta se instala, o descanso deixa de ser restaurador, porque o sistema interno não reconhece a pausa como segura. E, enquanto essa lógica não é revista, parar continua sendo difícil — mesmo quando você pode.

Pausas de 2 minutos (realmente aplicáveis)

Se você está em hiperalerta, pausas longas costumam falhar, pois elas aumentam a ansiedade. O caminho não é parar muito. É parar pouco, mas de verdade. Aqui vão três pausas de 2 minutos, sem negociação:

1. Pausa de corpo

  • Levante.
  • Alongue ombros e pescoço lentamente.
  • Respire fundo 3 vezes.
    Sem celular. Sem música. Só presença física.

2. Pausa de olhar

  • Afaste o olhar da tela.
  • Observe algo simples no ambiente.
  • Nomeie mentalmente 3 coisas que você vê.
    Isso tira a mente do modo corrida.

3. Pausa de fechamento

  • Pergunte:
    “O que já foi suficiente hoje?”
    Não é lista de pendências.
    É reconhecimento.

Essas pausas não resolvem tudo. Mas interrompem o automático.

Um ritual simples para encerrar o dia

Se você nunca “desliga”, então o dia seguinte começa pesado. Experimente este ritual simples, todos os dias:

  1. Escolha um horário possível (não ideal).
  2. Feche conscientemente o que estava fazendo.
  3. Diga em voz baixa ou mentalmente:
    “Hoje, isso foi o que deu.”
  4. Faça algo neutro por 10 minutos
    (banho, água, caminhada curta, silêncio).

Não é autoajuda, mas sim, sinalização interna de encerramento. O corpo precisa saber que o dia acabou.

Conclusão: parar é reaprender segurança

Você não tem dificuldade de parar porque é fraco(a). Você tem dificuldade porque aprendeu a viver em estado de alerta.

Descansar, nesse caso, não é se jogar no sofá, mas ensinar o corpo, pouco a pouco, que a pausa não é perigo. Comece pequeno. Dois minutos já contam.

Parar não é desistir da vida, mas criar espaço para continuar nela sem se perder.

Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação

(Do InMente ao InMundo)


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Regra 3–1–0: uma pequena mudança que transforma o seu dia

Quando o Corpo Pede Pausa: O Resgate da Calma em Meio ao Cansaço

Tudo começa InMente: Pequenas Pausas que Mudam o Seu Dia

Leitura externa:

A Falta de Pausa Como Forma Moderna de Violência Psíquica


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