Você até para. O corpo desacelera, senta, deita, interrompe tarefas. Ainda assim, a mente continua ativa. Pensamentos surgem, preocupações reaparecem, o dia inteiro parece continuar rodando por dentro.
É comum ouvir frases como “minha cabeça não desliga”, “fico ansioso quando paro” ou “sinto culpa ao descansar”. Essas experiências não são exceção. Elas indicam que o descanso não está sendo vivido como segurança, mas como ameaça.
Parar gera ansiedade
Para muitas pessoas, parar não traz alívio imediato. Ao contrário, gera inquietação. Quando o ritmo diminui, a mente acelera. O silêncio incomoda.
Isso acontece porque o corpo se acostumou a funcionar em estado de alerta. O movimento constante virou forma de regulação. Quando ele cessa, a ansiedade aparece, não porque algo está errado, mas porque o sistema não aprendeu a desligar.
Sinais de hiperalerta
Alguns sinais mostram que o descanso não está acontecendo de fato:
- dificuldade de relaxar mesmo em momentos livres;
- culpa ao descansar;
- mente acelerada quando o corpo para;
- necessidade constante de estímulo;
- cansaço que não melhora, mesmo após pausas.
Esses sinais não indicam fraqueza. Indicam adaptação prolongada a um ritmo que nunca desacelera.
Pausas de 2 minutos que ajudam de verdade
Não é necessário grandes mudanças para iniciar uma reorganização. Pequenas pausas, quando feitas com constância, já sinalizam ao corpo que não há perigo em parar.
Algumas pausas possíveis:
- fechar os olhos por dois minutos sem estímulos;
- respirar lentamente por alguns ciclos;
- afastar o celular por instantes;
- permanecer sentado sem fazer nada por um curto período.
O objetivo não é relaxar profundamente, mas interromper o estado de alerta.
Ritual simples de encerramento do dia
Um dos principais motivos pelos quais a mente não desliga é simples: o dia nunca termina de verdade.
Você para o corpo, mas continua carregando o ritmo do dia para dentro da noite. O que ajuda não é tentar “esvaziar a mente”, mas marcar a transição.
Experimente este ritual simples:
- escolha um horário aproximado para encerrar o dia;
- desligue as telas por alguns minutos;
- fique em silêncio;
- faça a pergunta interna: “o que de hoje já pode terminar agora?”;
- reconheça, sem resolver.
Em seguida, faça um gesto físico simples, como diminuir as luzes, tomar um banho mais lento ou trocar de roupa. O corpo aprende por repetição. Quando esse ritual se repete, o desligamento deixa de ser esforço e passa a ser consequência.
Conclusão
Você não consegue desligar porque passou tempo demais precisando estar ligado. O descanso não volta quando você força o silêncio, mas quando cria encerramentos reais.
Parar não é falhar. Descansar não é perder tempo. Aprender a desligar é recuperar contato consigo mesmo e com seus limites.
Renata Nascimento – Ontoanalista em formação
(Do InMente ao InMundo)
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