Existem momentos em que a vida não pede grandes respostas, mas mesmo assim tudo parece pesado. Você olha para as opções, pensa, analisa, refaz mentalmente os cenários… e ainda assim não sabe o que fazer agora. O corpo fica tenso, a mente acelerada e a angústia cresce em silêncio.
Essa angústia de não saber o que fazer agora não surge porque falta inteligência, vontade ou capacidade. Ela aparece quando a pessoa está tentando decidir sob pressão interna, medo de errar ou necessidade de acertar tudo de primeira.
E, quanto mais você tenta “resolver isso logo”, mais travada parece ficar.
“Travada” não é preguiça
Um dos maiores equívocos é confundir travamento com preguiça. Na prática, quem está travado costuma estar pensando demais, sentindo demais e exigindo demais de si.
A pessoa quer fazer a escolha certa. Quer evitar erros. Quer minimizar perdas. Porém, essa tentativa de controle total cria um efeito oposto: paralisa.
Você não está parada porque não se importa. Está parada porque se importa demais, e isso sobrecarrega o sistema emocional.
Portanto, estar travada não é sinal de falta de ação. É sinal de excesso de tensão.
O que piora a angústia na hora de decidir
Alguns comportamentos alimentam diretamente a sensação de angústia e bloqueio. Entre os mais comuns estão:
- tentar decidir tudo de uma vez,
- buscar a opção perfeita,
- comparar suas decisões com as dos outros,
- imaginar todas as consequências negativas possíveis,
- se cobrar clareza total antes de agir.
Esses padrões fazem a mente girar em círculos. Como resultado, a angústia aumenta e a decisão se afasta ainda mais.
Além disso, quanto mais tempo você permanece nesse estado, mais o corpo associa decidir com sofrimento. Assim, a próxima escolha já começa mais pesada do que deveria.
Um plano simples de 24 horas
Quando a mente está travada, não é o momento de decidir a vida inteira. É o momento de reduzir o horizonte.
Um plano de 24 horas ajuda porque devolve sensação de chão, sem exigir certezas absolutas.
Funciona assim:
- Pergunta-chave:
“O que é possível fazer nas próximas 24 horas, sem resolver tudo?” - Escolha apenas uma ação pequena, realista e reversível.
Algo que não comprometa tudo, mas coloque você em movimento. - Suspenda decisões maiores temporariamente.
Não é desistir. É adiar com consciência. - Observe o corpo depois da ação.
Se houver alívio, mesmo pequeno, você está na direção certa.
Esse plano não elimina a angústia imediatamente, mas diminui o volume interno. E, quando o volume diminui, a clareza começa a aparecer.
Como escolher sem buscar perfeição
Grande parte da angústia vem da ideia de que existe uma escolha perfeita, e que errar seria imperdoável. No entanto, decisões reais raramente funcionam assim.
Escolher sem perfeição significa aceitar três verdades importantes:
- nenhuma decisão vem com garantia total,
- quase toda escolha pode ser ajustada depois,
- ficar parada também é uma escolha (e tem custo).
Quando você aceita isso, algo muda. A decisão deixa de ser um julgamento sobre quem você é e passa a ser apenas um passo possível agora.
Uma boa pergunta para esses momentos é:
“Isso precisa ser definitivo ou apenas suficiente por enquanto?”
Na maioria das vezes, é apenas suficiente.
A angústia diminui quando a exigência diminui
A angústia de não saber o que fazer agora não se resolve com respostas brilhantes. Ela se dissolve quando a exigência interna diminui.
Menos cobrança, antecipação e menos necessidade de controle.
À medida que você reduz a pressão, o corpo sai do estado de alerta. A mente desacelera. E, pouco a pouco, escolher deixa de ser um peso.
Decidir não precisa ser heroico. Precisa ser possível.
Conclusão: movimento pequeno vale mais que clareza total
Se você está vivendo a angústia de não saber o que fazer agora, saiba: isso não define quem você é nem indica fracasso. Indica apenas que algo precisa de tempo, não de força.
Você não precisa resolver tudo hoje, mas precisa dar um passo que não te traia.
Quando o movimento é pequeno, o medo diminui. Quando o medo diminui, a mente clareia. E, quando a clareza aparece, a decisão deixa de ser um monstro e vira caminho.
Escolher sem perfeição não é desistir de si. É respeitar o próprio processo.
Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação
(Do InMente ao InMundo)
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