Você já percebeu que, quando algo te preocupa, o corpo reage? A garganta fecha, o estômago aperta, o peito pesa. Chamamos isso de “sintoma”, mas, muitas vezes, é uma forma do corpo tentar conversar com você. O corpo fala o que a mente cala. Ele traduz em tensão o que o coração não conseguiu expressar.
E o que parece apenas físico pode ser, na verdade, um pedido silencioso de escuta.
“O corpo sussurra antes de gritar. Escutar cedo é cuidar de si.”
A produtividade emocional que tanto buscamos começa exatamente aqui — quando paramos de lutar contra o corpo e começamos a compreender o que ele quer dizer.
As emoções que o corpo não consegue esconder
Toda emoção que não é expressa procura outro canal para se manifestar. E o corpo, generosamente, assume esse papel. Quando você engole o choro, prende o que sente ou tenta ser forte o tempo todo, o corpo guarda o que a mente não quer lidar. A tensão que não vai embora, o sono que não vem, a dor que insiste — tudo isso é a forma que o corpo encontra para dizer:
“Tem algo aqui dentro pedindo atenção.”
A mente pensa; mas o corpo sente. Você sente primeiro, entende depois. Na Ontoanálise, esse processo é visto como linguagem somatopsíquica — ou seja, uma comunicação entre o invisível da alma e o visível do corpo. Nada é “só físico”; o corpo é o tradutor da alma.
Sintomas que têm história
Cada parte do corpo carrega uma linguagem emocional. Logo, aprender a ouvi-la é um gesto de inteligência interior.
• Dores nas costas: peso de responsabilidades ou culpas antigas.
• Problemas na garganta: palavras não ditas, emoções reprimidas.
• Estômago sensível: dificuldade em “digerir” o que aconteceu.
• Enxaquecas: excesso de controle e sobrecarga mental.
• Cansaço constante: conflito entre o que você faz e o que realmente deseja.
Esses sinais não devem gerar medo — devem gerar escuta. O corpo não quer punição, quer diálogo.
O corpo fala porque quer reconciliação, não castigo.
Observar os sintomas com curiosidade, e não com julgamento, abre o caminho da cura, porque a doença não é o fim — é um pedido de reequilíbrio.
O corpo como mensageiro da alma
O corpo é o canal mais honesto que existe. Ele não mente, não disfarça, não racionaliza. Ele expressa o que está vivo — ou o que está travado — dentro de você. Portanto, prestar atenção aos sinais físicos é um ato de autoconhecimento. O corpo é um espelho: mostra onde há verdade e onde há esquecimento de si.
Quando você sente dor, fadiga ou desconforto, o corpo não está contra você — ele está a seu favor, tentando te trazer de volta ao centro.
Quem aprende a ouvir o corpo, aprende a cuidar da alma.
Portanto, a Ontoanálise vê o corpo como parte da consciência encarnada: o lugar onde o invisível ganha forma. Cuidar dele é honrar o ser.
Como ouvir o seu corpo no dia a dia
A escuta do corpo começa em pequenos gestos. Não é preciso uma revolução, mas uma mudança de atitude.
- Observe as tensões: o que você estava pensando quando elas surgiram?
- Faça pausas conscientes e perceba o que o corpo pede — movimento, descanso, água, silêncio.
- Escreva o que sente quando uma dor aparece; às vezes o alívio começa ali.
- Evite se forçar ao silêncio emocional; permita-se sentir sem se julgar.
Esses pequenos gestos são o início da cura. Quando o corpo é escutado, ele se reorganiza naturalmente. Curar não é calar o sintoma, mas entender o que ele quer te contar.
Além disso, o corpo tem memória — tudo o que você não elabora, ele armazena. Ao liberar emoções antigas, você também libera energia vital para o novo.
O silêncio que cura
Em muitos momentos, o que falta não é tratamento, mas escuta. O corpo fala o que a mente cala porque precisa ser ouvido — e o silêncio é o primeiro remédio. Respirar fundo antes de reagir, caminhar sem fones de ouvido, sentir o toque da água ou do vento: tudo isso é o corpo tentando te reconectar ao agora. Esses instantes devolvem o ritmo natural da vida — mais lento, mais sensato, mais humano.
O corpo fala no tempo do ser, não no tempo do relógio.
Quando você se alinha a esse ritmo, até a dor muda de tom: ela deixa de ser inimiga e se torna professora.
Conclusão – o corpo é o seu maior aliado
Em vez de lutar contra ele, aprenda a conversar com ele. O corpo fala o que a mente cala e toda dor é uma linguagem, todo sintoma é uma história. O corpo não quer te punir, quer te proteger. Quando você o escuta com amor, ele se torna seu aliado mais fiel.
Por fim, o corpo fala o que o coração ainda não conseguiu comunicar. Escute — e você irá se surpreender com o que descobrirá.
Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação
(Do InMente ao InMundo)
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Leitura externa:
O Corpo como Espelho do Ser: o que os Sintomas Querem Revelar
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