Há dias em que acordamos cansados antes mesmo do dia começar. O corpo pesa, a mente gira, o humor oscila e até pequenos gestos parecem exigir energia demais. Embora você tente seguir, algo dentro insiste: pare um pouco. Esse é o sinal mais humano — e mais ignorado — de todos: quando o corpo pede pausa.

Isso não é fraqueza. Isso é sabedoria. O corpo fala quando a alma se cansa. E, na correria dos tempos modernos, onde o “fazer” vale mais do que o “ser”, é justamente o corpo que lembra o que esquecemos: existe um limite. E, quando ultrapassamos esse limite, não é a cama que falha — é a consciência que se desconecta de si.

Cansaço físico ou cansaço da alma?

É comum acreditar que cansaço se resolve dormindo. Porém, há um tipo de exaustão que persiste mesmo após uma longa noite de sono. É o cansaço emocional, o cansaço existencial — aquele que nasce daquilo que você sente, mas não expressa.

Esse desgaste profundo surge:

  • dos “sim” ditos com medo de desagradar,
  • das expectativas que você tenta sustentar,
  • das pressões invisíveis que carrega,
  • das emoções que empurra para amanhã.

E, então, o corpo grita porque a mente não está conseguindo mais sussurrar. Não se trata apenas de falta de energia — trata-se de falta de presença. Quando o corpo pede pausa, ele não está contra você. Ele está tentando proteger o que sobrou de você.

Na visão da Ontoanálise, o corpo é o primeiro território onde o ser se manifesta. Quando a vida interna se desorganiza, o corpo se adelgaça, tenta compensar, tenta avisar. Ele não é o problema. Ele é a mensagem.

A pausa como forma de inteligência

Pausar não é desistir. Pausar é escolher continuar — mas de forma lúcida.

Em uma cultura que glorifica o excesso, parar parece uma ameaça. No entanto, é justamente a pausa que reorganiza o eixo interno e devolve o poder da escolha. A pausa é o espaço onde o ser consegue respirar de novo.

E quanto antes você reconhece quando o corpo pede pausa, mais cedo o equilíbrio retorna.

Pequenas pausas, feitas ao longo do dia, já mudam tudo:

  • Dois minutos de respiração profunda reorganizam o sistema nervoso;
  • Um café em silêncio, sem telas, cria um microespaço de presença;
  • Uma caminhada curta, com atenção aos sons e à luz, devolve vitalidade;
  • Um minuto de olhos fechados reconecta você ao agora.

Essas pausas não são desperdício de tempo. São investimento em clareza. E clareza é a base de qualquer vida equilibrada.

Três perguntas que resgatam a calma

Quando o corpo cai no alerta, você precisa abrir espaço para a consciência entrar. E algumas perguntas simples podem revelar o que realmente está acontecendo por dentro:

1. “O que realmente está me cansando?”

Muitas vezes, não é o trabalho, mas sim, autocobrança. É o ritmo acelerado sem propósito, a culpa por não dar conta de tudo. Reconhecer isso evita que você continue empilhando peso sobre si.

2. “O que posso simplificar hoje?”

Você não precisa resolver a vida inteira, mas precisa apenas diminuir o excesso que está drenando sua energia. Às vezes, simplificar uma tarefa muda o dia inteiro.

3. “Quando foi a última vez que fiz algo só por prazer?”

Pequenas alegrias restauram a alma. E sem elas, a rotina vira sobrevivência — não vida. Essas perguntas funcionam como lanternas internas: iluminam o que estava escondido atrás do cansaço.

Quando o corpo fala, escute com gentileza

O corpo sempre avisa antes do colapso. Ele avisa: com o sono leve, com a irritação sem motivo, com o estômago tenso, com a perda de entusiasmo, com a sensação de estar “travada” por dentro.

Esses sinais não são inimigos. São bússolas. Eles apontam para a direção do cuidado — e o cuidado começa pelo reconhecimento. Para a Ontoanálise, o corpo não mente. Ele só revela o que o ser já sabe, mas ainda não disse em voz alta.

O descanso também é produtividade

Vivemos a falsa ideia de que parar é perder tempo. Mas o descanso não atrasa o sucesso — ele o constrói. Uma mente cansada pensa em círculos. Uma mente descansada cria soluções. Pessoas equilibradas produzem mais por um motivo simples: elas têm energia para continuar.

Portanto, produtividade sem serenidade é só exaustão com outro nome. Quando o corpo pede pausa e você atende, a mente recupera clareza, o foco retorna e a vida fica mais leve, pois é neste espaço de presença que a criatividade floresce.

Conclusão

Enfim, quando o corpo pede pausa, não é sinal de falha, mas, pedido de socorro. É um convite silencioso para retornar a si antes que o mundo interno desabe. Ouça o corpo antes que ele grite. Respeite o ritmo antes que ele quebre. Cuide de si antes que seja tarde.

O descanso é sagrado, pois é na pausa que o ser se reencontra — e a vida volta a fluir.

Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação


Leia mais:

Como Resgatar Sua Força Interior em 5 Minutos por Dia?

Leitura externa:

O Excesso que te Cansa Não Está Fora, Está Dentro


0 comentário

Deixe um comentário

Espaço reservado para avatar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *