Nem toda pessoa acelerada é produtiva. Algumas estão apenas perdidas em movimento.

A vida acelerada cria a ilusão de avanço, mas muitas vezes esconde uma ausência profunda: a de saber de onde se está vivendo. Quando o eixo interno se perde, tudo vira urgência, tudo pesa e a ansiedade passa a parecer parte do funcionamento normal, quando não é.

É assim que a pressa deixa de ser circunstancial e se torna estrutural.

A pressa não nasce da agenda. Nasce da comparação.

Grande parte da ansiedade do dia a dia surge da comparação silenciosa. Você olha para fora e sente que está atrasada: na vida, nas conquistas, nas decisões. Como consequência, acelera.

Acelera respostas, escolhas e até o descanso.

Nesse estado, a mente não encontra repouso, porque está sempre tentando acompanhar um ritmo que não respeita limites humanos. Aos poucos, surgem sintomas muito comuns, e cada vez mais buscados:

  • ansiedade constante sem causa clara,
  • cansaço mental frequente,
  • dificuldade de relaxar mesmo em momentos livres,
  • culpa ao descansar,
  • sensação de estar sempre correndo.

Esses sinais não indicam fraqueza. Indicam uma mente cansada por falta de eixo, não por falta de força.

Correr sem direção parece avanço, mas gera esgotamento

Existe um paradoxo pouco percebido: quanto mais você corre sem direção, menos sente que avança.

Quando tudo é urgente, nada é vivido com presença. E quando tudo exige resposta imediata, a vida vira sobrevivência.

Esse modo de viver cobra um custo invisível, porém profundo:

  • decisões tomadas por pressão, não por clareza,
  • escolhas que não refletem quem você é,
  • cansaço emocional mesmo em dias “normais”,
  • perda da sensação de propósito.

Na aplicação cotidiana da Ontoanálise, isso acontece quando o centro da vida sai do ser e passa a ser guiado pela comparação. Você deixa de escolher a partir do que faz sentido internamente e passa a reagir ao que parece necessário externamente.

E nenhuma mente sustenta isso por muito tempo sem adoecer.

A aceleração não é externa. Ela é interna.

Nem sempre o mundo está rápido demais. As vezes é você que tenta acompanhá-lo a partir do lugar errado. Quando o eixo interno se enfraquece, tudo pesa mais. Até o simples vira cansativo. E o necessário vira excessivo. Portanto, a ansiedade não surge porque falta tempo, mas porque falta direção interna.

E aqui está uma verdade desconfortável: nem toda correria é produtividade. Às vezes, correr é apenas uma forma elegante de não parar para sentir.

Um dia com apenas três prioridades humanas

Talvez você não precise fazer mais, mas sim, fazer com mais presença.

Uma prática simples, e profundamente reorganizadora, é estruturar o dia a partir de três prioridades humanas. Não é sobre desempenho, mas sobre sanidade. São elas, por exemplo:

  1. Uma prioridade prática essencial: aquilo que realmente precisa ser feito hoje, sem excesso, sem acúmulo.
  2. Uma prioridade de cuidado pessoal: algo que alivie o cansaço mental, como uma pausa consciente, uma caminhada, alguns minutos de silêncio.
  3. Uma prioridade de presença: um café atento, uma conversa sem pressa, um instante de conexão consigo.

Quando o dia é vivido assim, algo muda por dentro. A ansiedade diminui, o corpo relaxa e a mente recupera clareza. Curiosamente, a produtividade melhora, não por aceleração, mas por alinhamento.

Sucesso não é velocidade. É paz interna.

Fomos ensinadas a medir sucesso por resultados externos: metas cumpridas, reconhecimento, desempenho. No entanto, existe um critério mais honesto, e mais difícil de sustentar: a paz interna.

Pergunte-se, sem pressa:

  • Minha rotina me deixa mais ansiosa ou mais tranquila?
  • Minhas escolhas reduzem ou aumentam meu cansaço emocional?
  • No fim do dia, minha mente está exausta ou em paz?

Se o sucesso que você busca custa sua serenidade, talvez o preço esteja alto demais. Redefinir sucesso por paz interna devolve algo que a pressa sempre rouba: lucidez.

Quando o eixo volta, a vida desacelera sozinha

Desacelerar não é desistir, mas escolher com consciência.

Quando você para de correr para provar algo, a mente descansa, o corpo agradece e a vida começa a se reorganizar de dentro para fora. A vida acelerada perde força quando o eixo interno é restaurado.

E então você entende algo libertador: você não precisa correr para dar certo.

Conclusão

Por fim, se você vive ansiosa, cansada e com a sensação constante de estar atrasada, talvez não falte força. Talvez falte ritmo humano. A vida não pede pressa, mas sim, presença. E quando você muda o ritmo por dentro, o mundo externo acompanha.

Portanto, dar certo não é chegar primeiro, é chegar em paz.

Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação

(Do InMente ao InMundo)


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Categorias: Vida Interior

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