Existem momentos em que nada parece exatamente errado — mas tudo parece confuso. A mente não silencia, as emoções se misturam, decisões simples se tornam difíceis e a sensação é de estar fora de eixo, sem saber exatamente por quê.
Nesses momentos, ninguém pensa “eu me perdi de mim”.
O que se pensa é: “minha cabeça está bagunçada”, “não sei o que estou sentindo”, “parece que não consigo organizar nada por dentro”.
É justamente aí que começa a arte de voltar para si.
Confusão não é perda — é excesso
Na maioria das vezes, a confusão não nasce da falta de informação, mas do excesso. Excesso de estímulos, de opiniões, de expectativas, de demandas externas e internas.
Quando tudo fala ao mesmo tempo, a voz interna se perde no ruído. Não porque desapareceu, mas porque ficou abafada.
Voltar para si não é encontrar algo novo.
É retirar o excesso para ouvir o que sempre esteve ali.
O erro de tentar “resolver” a confusão rapidamente
Diante da confusão, muitas pessoas tentam resolvê-la com mais ação: mais decisões, mais análises, mais tentativas de controle. No entanto, isso costuma piorar o estado interno.
A confusão não pede pressa.
Ela pede organização interna.
Antes de decidir o que fazer, é preciso reorganizar o lugar de onde você decide.
Voltar para si é mudar o ponto de partida
Voltar para si não significa se isolar do mundo, abandonar responsabilidades ou “desligar tudo”. Significa mudar o ponto interno a partir do qual você vive o dia.
Quando você está fora de si, reage.
Quando está em si, responde.
Essa diferença muda tudo: o tom das decisões, a qualidade das escolhas e o nível de desgaste emocional envolvido.
O corpo é o primeiro caminho de retorno
Quando a mente está confusa, o corpo costuma ser o melhor ponto de ancoragem. Ele não debate, não justifica, não cria narrativas. Ele apenas sinaliza.
Respiração curta, tensão no peito, peso nos ombros ou no estômago são sinais de que você saiu do eixo. Voltar para si começa com algo simples: perceber o corpo sem tentar mudá-lo imediatamente.
A consciência corporal reorganiza a mente mais rápido do que qualquer explicação racional.
Silêncio não é ausência — é espaço
Outro erro comum é confundir silêncio com vazio. Na verdade, o silêncio é espaço interno. É nele que a confusão começa a se organizar.
Silêncio não é parar a vida, mas interromper o ruído desnecessário: menos explicações, menos justificativas, menos respostas automáticas.
Mesmo pequenas pausas ao longo do dia já ajudam a restaurar clareza.
Voltar para si exige gentileza, não cobrança
Muitas pessoas se cobram por estarem confusas. Julgam-se fracas, desorganizadas ou incapazes. Essa cobrança só afasta ainda mais do centro.
A confusão não é falha moral.
É sinal de que algo precisa ser reorganizado.
Voltar para si exige gentileza: aceitar o estado atual sem se identificar totalmente com ele.
Pequenos gestos que ajudam a voltar para si
Alguns movimentos simples ajudam nesse retorno:
- reduzir estímulos por alguns minutos,
- respirar conscientemente,
- adiar decisões importantes quando possível,
- escrever o que está confuso sem tentar resolver,
- perguntar: “o que realmente importa agora?”.
Esses gestos não resolvem tudo de uma vez, mas restauram o eixo interno.
Quando você volta para si, a confusão perde força
A confusão não some magicamente. Mas ela perde o comando. As ideias começam a se organizar, as emoções encontram lugar e as decisões deixam de ser urgentes.
Você não precisa enxergar o caminho inteiro. Basta recuperar o ponto onde você está.
É assim que a clareza retorna: passo a passo, a partir de dentro.
Conclusão: voltar para si é um gesto de cuidado
A arte de voltar para si não exige respostas imediatas, nem grandes viradas. Ela começa quando você reconhece que algo está confuso — e escolhe se escutar antes de agir.
Quando você volta para si, a vida não fica perfeita. Mas ela fica habitável por dentro.
E isso já muda tudo.
Renata Nascimento – Ontoanalista em Formação
(Do InMente ao InMundo)
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